Dados de violência doméstica ainda são alarmantes no Brasil

Para dar assistência a mulheres que sofrem com abusos, projeto Raabe realiza um trabalho de encorajamento e conscientização

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No ano em que a Lei Maria da Penha completa uma década de atuação, os dados de violência contra a mulher – física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral – ainda são alarmantes no Brasil.

De acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ano, mais de 1 milhão de mulheres ainda são vítimas de violência doméstica no Brasil, sendo que 40% sofrem agressões diariamente e 34%, semanalmente, conforme dados divulgados pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR).

Hoje, em algumas regiões do Brasil, destaca-se o feminicídio, assassinatos de caráter passional e de violência doméstica. O estado do Rio Grande do Norte, por exemplo, que 12 anos atrás apresentava a menor taxa de homicídios por 100 mil mulheres no País (1,4%), quadriplicou o índice, chegando a 6% em 2014.

Obstáculos emocionais para a mulher

A Lei Maria da Penha incentivou o crescimento do número de denúncias de maus tratos e agressões. Entre 2006 (quando a lei foi sancionada) e 2013 houve aumento de 600%. Porém, muitas mulheres ainda se mantêm em silêncio, ou não voltam a denunciar o agressor depois da primeira queixa. Muitas delas, passadas horas do ocorrido, ainda voltam atrás e ficam apenas com mais um boletim de ocorrência nas mãos.

O advogado e professor universitário de direito civil e processo civil, Luiz Fernando Valladão, destaca quais são os maiores obstáculos emocionais para as mulheres:

“Apesar de a Lei Maria da Penha ter trazido grandes avanços no combate à violência contra a mulher, falta muito para uma queda significativa desses números. Ainda existem muitos obstáculos nesse processo. Não é raro que mulheres que sofreram algum tipo de agressão se recusem a delatar os autores, principalmente quando o ocorrido se repete dentro de casa. Há também problema em comprovar o crime. A violência psicológica, por exemplo, é algo que não deixa vestígio.”

Encorajamento e conscientização

Para dar assistência a mulheres que carregam algum tipo de trauma e sofrem com a violência doméstica, e também incentivá-las a quebrar o silêncio, o projeto Raabe vem realizando, há quase 5 anos, um trabalho de encorajamento e conscientização.

“Mulheres chegam ao Raabe desacreditadas, sem vida no dia a dia, sem autonomia ou recursos pessoais e econômicos. Por vezes elas se sentem ameaçadas, sem acreditar nas suas potencialidades, e muitas ainda têm esperança no arrependimento do parceiro. Envergonhadas diante dos familiares, sofrem caladas e sozinhas. Sem conhecimento dos seus direitos, com muitas dúvidas e incertezas, sentem-se humilhadas e com medo para reagir”, conta a coordenadora nacional do projeto, Carlinda Tinôco, acrescentando que as mulheres que buscam auxílio no projeto são incentivadas a tomar coragem, buscar se atualizar quanto à lei e decidir denunciar.

O Raabe tem conquistado também o apoio de autoridades para combater a violência contra a mulher. Durante os encontros, as voluntárias conversam com as mulheres vítimas de violência, orientando-as emocionalmente. Depois, há orientação assistencial e jurídica, psicológica e espiritual, com acompanhamento de profissionais – advogadas, psicólogas e médicas.

Além disso, as voluntárias do grupo também ministram o curso da Cura Interior, composto por 12 aulas ministradas durante um período de 3 meses.

Se você está passando por situação de violência doméstica ou conhece alguém que esteja passando, clique aqui e encontre o endereço onde o grupo se reúne mais perto da sua casa. Ou entre em contato com as voluntárias do projeto pelo email projetoraabe@gmail.com, ou ainda pelo telefone (11) 3573-0535.

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Colaborador

Da Redação / Fotos: Fotolia e Cedida