21,4 milhões de brasileiras foram vítimas de violência no último ano
Além da agressão física, violência psicológica e ameaças lideram o ranking de casos no Brasil. O problema gera traumas nas vítimas e destrói famílias
Os índices de violência contra a mulher estão em uma infeliz trajetória de crescimento no Brasil. Nos últimos 12 meses, 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão, o que representa 37,5% do total de mulheres no País. Os dados, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, representam o maior percentual desde o início da série histórica, em 2017.
Segundo o estudo, a maioria das ocorrências está relacionada a ofensas verbais, como insultos, humilhações ou xingamentos. Em seguida aparecem agressão física, ameaças de agressão, stalking, abuso sexual e divulgação de fotos ou vídeos íntimos sem consentimento. O que mais chama a atenção é que 57% dos casos ocorrem dentro de casa e os principais agressores são parceiros íntimos ou ex-parceiros.
Esses dados revelam uma realidade vergonhosa e expõem uma distorção trágica da ideia de relacionamento que se enraizou na sociedade. Em vez de amor e parceria, imperam a ideia de posse e o desrespeito.
TODOS SOFREM
Os impactos da violência na vida da mulher são incontáveis, tanto físicos quanto emocionais. “As consequências físicas incluem lesões e hematomas, mas os danos não param por aí. Traumas, depressão, ansiedade, baixa autoestima e sentimento de culpa são algumas marcas emocionais que podem permanecer”, explica a psicóloga Donzilia Aveiro. Segundo ela, a exposição a um ambiente agressivo também pode gerar impactos sociais, como o desenvolvimento de vícios.
Além da mulher, a sociedade como um todo também paga o preço da violência. O mesmo estudo destaca que a maioria dos casos de agressão ocorre na presença de terceiros, sendo que em 27% deles os filhos são testemunhas. Não é preciso ser especialista para imaginar os traumas que essa criança ou adolescente carrega só por viver em um ambiente disfuncional e sem estrutura, podendo até replicar os mesmos atos no futuro, recomeçando um ciclo sem fim de violência.
COLOQUE UM PONTO FINAL
Combater a violência contra a mulher envolve múltiplos aspectos e pode começar com o acolhimento. “É de suma importância para a mulher que passa por essa violência ter uma rede de apoio para que ela possa se fortalecer e criar coragem para sair dessa situação de sofrimento”, diz Donzilia.
Segundo ela, entre as barreiras para colocar um fim no ciclo de agressões está a dependência emocional, “que é uma necessidade excessiva de apego a outra pessoa e se manifesta por meio do controle e ciúmes excessivos, baixa autoestima, medo de rejeição e solidão, necessidade de aprovação de todos, e colocar o(a) outro(a) acima de si mesmo”.
Essa é a mesma percepção do advogado familiarista Mateus Caroni, que aponta a dependência emocional como um dos principais fatores que levam à decisão de não denunciar o agressor. “Hoje, a mulher que sofre com a violência doméstica pode acionar a Polícia Militar por meio do número 190 ou buscar diretamente uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) ou delegacia comum para registrar o boletim de ocorrência. Ali pode ser solicitada a medida protetiva, que o juiz pode conceder em 48 horas”, pontua. Além disso, dúvidas podem ser esclarecidas pela Central de Atendimento à Mulher, pelo 180.
“Eu vejo que o combate à violência contra a mulher depende da denúncia e do papel efetivo do Estado em prevenir e punir. A prevenção vem por meio da conscientização sobre comportamentos tóxicos em um relacionamento, enquanto a punição dos agressores deveria ser mais rigorosa”, diz Caroni.
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Superar os traumas da violência requer apoio tanto da Justiça quanto de amigos e familiares. “É importante desenvolver estratégias de enfrentamento, por meio de apoio psicológico e da fé, que é uma arma poderosa nessa situação”, explica Donzilia. “Isso porque a partir do momento que a pessoa coloca Deus em primeiro lugar em sua vida, ela passa a viver sem dependência emocional, pois Deus ensina a pessoa a se valorizar e a não colocar a expectativa no outro, obtendo assim a cura interior”, conclui.
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