Como superar as marcas deixadas pelo abuso?

Livro da escritora Márcia Pires conta sua história de agressões, rejeição e superação

Imagem de capa - Como superar as marcas deixadas pelo abuso?

A escritora Márcia Pires lançou recentemente o livro Da Ferida à Cicatriz: Minha história de abuso, rejeição e superação, publicado pela Unipro Editora. Nele, Márcia compartilha não apenas as experiências dolorosas provocadas por um abuso sexual sofrido na adolescência, como também a rejeição e a violência doméstica de que foi vítima durante um noivado.

Como superar as marcas deixadas pelo abuso?Na obra, ela explica como essas agressões a levaram a desenvolver comportamentos doentios de autodefesa e ainda auxilia outras mulheres a identificarem e enfrentarem suas raízes emocionais, mostrando que é possível superar as marcas do passado e escrever uma nova história. Da Ferida à Cicatriz: Minha história de abuso, rejeição e superação está disponível no site arcacenter.com.br e nas principais livrarias.

Em entrevista exclusiva à Folha Universal, Márcia, que vive na África do Sul, falou um pouco mais deste que é o seu primeiro livro:

 

Folha Universal – O que a motivou a escrever um livro sobre um tema tão delicado?

Márcia Pires – Relatar essas experiências em um livro significa servir a Deus na grande expectativa de que Ele possa ajudar muitas outras mulheres a recomeçarem. Trata-se de um livro interativo, em que minha história é relatada com ferramentas para que as leitoras possam usar os mesmos passos e alcançar uma cura interior e harmonia emocional, bem como reconectar-se com Deus. Convido as leitoras a fazerem uma viagem comigo e, ao final de cada capítulo, temos uma parada onde as desafio a fazerem algumas reflexões seguidas de decisões.

Folha Universal – Como foi recordar os acontecimentos do passado para abordá-los no livro com a percepção de vida que tem hoje?

Como superar as marcas deixadas pelo abuso?Márcia Pires – Foi uma oportunidade única. Detalhes esquecidos voltavam à minha mente e eu ia aos poucos completando o rascunho do livro. Não tive um pingo de dor ou tristeza, ao contrário, tive uma grande alegria porque eu venci esse passado. Hoje eu sei do meu potencial e do valor que Deus tem me dado, e tenho uma enorme gratidão pelo meu Deus.

Folha Universal – O que foi mais difícil no seu processo de cura interior?

Márcia Pires – São muitas etapas de autoconhecimento e confronto pessoal, mas, para mim, o mais difícil foi me enxergar através dos olhos de Deus e entender a misericórdia. A mente fica tão cauterizada pelo abuso que a maioria das mulheres não consegue ver nada de bom em si e não acha que pode ter uma vida melhor.

Folha Universal – Como o seu casamento também contribuiu para a superação desse passado?

Márcia Pires – Ao trabalhar na minha vida espiritual, aos poucos comecei a aceitar a ideia de que um relacionamento guiado por Deus não seria como o que eu havia experimentado durante um antigo noivado. Marcelo (Pires) e eu estamos casados há 34 anos e não foi sempre um mar de rosas, apesar das inúmeras compatibilidades que temos. Eu tinha raízes, reações que eu mesma desconhecia e ele, por sua vez, não tinha o conhecimento necessário para lidar com isso. Contudo lidamos com cada situação e reação. Meu esposo foi um grande instrumento para me ajudar a superar resquícios daquele trauma que eu ainda carregava, como rompantes de nervosismo, necessidade de agradar e fazer até aquilo que não estava ao meu alcance.

Folha Universal – Como são os trabalhos que desenvolve hoje com mulheres?

Como superar as marcas deixadas pelo abuso?Márcia Pires – No continente africano, o abuso sexual e a violência doméstica são prevalecentes em muitos países. As mulheres não têm um espaço para buscar ajuda e os trâmites jurídicos são muito complicados, levando a maioria delas a desistir de buscar justiça. Logo, nosso trabalho fundamental é reabilitar essas mulheres emocionalmente e espiritualmente. Trabalhamos dentro e fora da Igreja com campanhas de conscientização contra a violência à mulher, o abuso infantil e o tráfico humano. Fazemos parcerias com algumas organizações que dão apoio jurídico ou abrigo a vítimas da violência doméstica. Temos um grupo de esposas de pastor chamado Mulheres em Ação, que, voluntariamente, atua em evangelismos, aconselhamentos, visitas a albergues de jovens que sofreram abuso e que estão sob a custódia da lei. Busco estar na coordenação de todos esses programas, pois quero compartilhar aquilo que recebi. O meu passado hoje é uma plataforma de ajuda para mulheres.

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Colaborador

Núbia Onara / Fotos: Cedidas e Divulgação